MOTIVART: “ Tem gente que vive chorando de barriga cheia….”

Sexta-feira à noite em São Paulo. Tinha acabado chegar ao Hotel, depois de 03 horas de voo e 01h de carro, para um evento dos Palestrantes do Brasil que ocorreria no sábado durante todo o dia. Estava faminta; mas, ao invés de procurar restaurantes na vizinhança ou ver as opções de delivery, resolvi pesquisar a programação cultural de Sampa daquele final de semana. E eis que encontro a atração perfeita: O Musical Zeca Pagodinho: uma história de amor ao samba. Um programa que unia duas paixões: teatro e samba.

Prontamente chamei um Uber e fui ao Teatro Procópio Ferreira. Foyer lotado. Pessoas de todos os estilos e idades. Todos unidos pelo prazer da arte. O espetáculo, com muita maestria, contava a história do Jessé Gomes da Silva Filho. Sua trajetória de altos e baixos, tropeços e acertos, uma verdadeira saga na busca da autorrealização, tentando orquestrar a necessidade do sustento com o prazer de fazer samba.

Ocorre que Jessé não imaginava ir tão longe e tornou-se refém do próprio sucesso. Pessoas interesseiras se aproximaram para se aproveitar de sua luz, várias intrigas foram criadas para macular a imagem dele, a rotina de shows o afastou da família, dos amigos e de seu refúgio particular: o Irajá.

Eu já havia escutado inúmeras vezes a música Maneiras, porém desconhecia o contexto em que ela foi composta. E, quando a música começou a ser cantada, com cada palavra sendo decifrada, degustada, automaticamente me veio a inspiração de escrever um artigo, refletindo sobre a letra que, apesar de singela, guarda ricas lições.
E das inúmeras lições compartilharei apenas duas.

Lição 1: O sucesso tem seu preço.
É comum acreditarmos que pessoas bem sucedidas vivem uma vida perfeita. Não devem se preocupar demasiadamente com as despesas. Viajam. Estão cercados de pessoas. Onde chegam são sempre muito bem acolhidas. Tem fama, status, respeito e admiração. Primeiramente, cabe questionar: será isso o sucesso para todo mundo? Será que todas as pessoas almejam ter sucesso nesse modelo? E as que têm gana de alcançar o seu próprio modelo de sucesso, estão preparadas para pagar o preço por ele?

Certa vez, recordo-me de uma aluna que me disse que não queria ter a minha vida: “ a senhora trabalha demais. Faz muitas coisas.” E eu perguntei o que ela almejava ser. Prontamente, ela respondeu: “Modelo”. Eu, de maneira
irreverente, perguntei-lhe: “Mas você tem ideia de como é a vida de uma modelo profissional?”

Essa imagem dos pés de uma bailarina reafirma a concepção de que o Sucesso tem seu Preço. Normalmente, só vemos o pé com a sapatilha, mas desconhecemos os calos que estão por trás dela.
O herói do Irajá pagou o seu preço pela fama, inclusive, sendo, por muitas vezes, mal interpretado. Isso o levou a externar, através da música, o seu descontentamento: “Se eu quiser fumar, eu fumo /Se eu quiser beber, eu bebo/Eu pago tudo que eu consumo/Com o suor do meu emprego/Confusão eu não arrumo/Mas também não peço arrego/Eu um dia me aprumo/Pois tenho fé no meu apego/Eu só posso ter chamego/Com quem me faz cafuné/Como o vampiro e o morcego/É o homem e a mulher/O meu linguajar é nato/Eu não estou falando grego/Eu tenho amores e amigos de fato/Nos lugares onde eu chego/Eu estou descontraído/Não que eu tivesse bebido/Nem que eu tivesse fumado/Pra falar de vida alheia/ Mas digo sinceramente/ Na vida, a coisa mais feia / É gente que vive chorando/De barriga cheia.”

Daí vem a Lição 2: Pior que a Inveja; é a INGRATIDÃO.
A inveja é algo que não se pode ter controle. É externo a nós. Depende do controle emocional do outro, portanto não podemos fazer muita coisa para contê-la. Já a ingratidão, sim.

É preciso alimentar o coração da GRATIDÃO. E isso não é discurso raso de motivação. Na verdade, a Gratidão é o combustível para que a Roda da Prosperidade continue girando. Se não sou grato (a) pelo que tenho, não estou preparado (a) para receber ainda o que não possuo.

O Universo se comporta como nós. Quanto mais nos demostram gratidão pelo que fazemos, mais motivado nos sentimos para continuar fazendo. Da mesma forma é o Universo. Quanto mais agradecemos o que nos é concedido, mais ele se encarrega de nos abrir portas e criar condições para que realizemos o que almejamos.
Sendo assim, eu digo, sinceramente, amigo(a) leitor(a), na vida a coisa mais feia, é viver chorando de barriga cheia.

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